quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Vs. Lua

Fazia algum tempo que não saia de casa.
As pessoas diziam que era depressão. Eu dizia que era porque não precisava.
Na verdade era porque eu não estava pronta. Talvez fosse mesmo por causa da depressão.
Não conseguia saber se tinha coragem ou não, então, naquela noite, resolvi sair.

Um passo atrás do outro, estava sendo realmente difícil. Quando foi que esse caminho tão conhecido se tornou tão longo? Porque eu estava tremendo e suando ao mesmo tempo?
E poderia ser melhor se as pessoas não insistissem em olhar para mim.

"Elas sabem? Por acaso tá estampado na minha cara a total estranha que eu era naquele lugar naquele momento?
Por favor! Parem de olhar para mim!"

Quase não conseguindo segurar as lágrimas e o medo, olhei para o que mais me acalmava.
Procurei a Lua.

E lá estava ela, com aquele sorriso estampado na cara.
Aquele sorriso sarcástico. A filha-da-puta ainda tava zombando de mim.

"Você está com medo?
Você pode correr.
Pode se esconder.
Ou pode ficar e lutar.
Mesmo sabendo que irá perder.
Pode procurar uma solução, procurar ajuda, espernear, gritar.
Desista.
We're all mad in here."

Já com as lágrimas passeando pelo meu rosto, corri para casa.
Corri para o quarto, me afundei na cama que me deu abrigo integral por todas aquelas semanas.

Lá fora, no Céu, A Lua corria para se afundar numa nuvem.
E logo suas lágrimas escorreram pelo seu sorriso malvado, despencando da nuvem encharcada.
A Lua estava mais triste que eu. E eu não percebi.
Mesmo com as cortinas fechadas, eu podia ouvir o barulho da chuva na janela.
E mesmo assim não percebi.

"Bem-vinda ao clube." Ela disse.

Um comentário:

Vivi Hitachiin disse...

Lindo texto!
O início me lembrou um pouco "Verônica Decide Morrer".
E esses sorrisos da lua que nos surpreendem!
Sempre parecem querer dizer algo, quando na verdade querem dizer outra coisa.
É mesmo difícil de entender, mas tudo depende da sua interpretação :)