quarta-feira, 16 de junho de 2010

Manhã fria

Sentada no degrau daquela escada, vendo as mesmas pessoas, nos mesmos passos, naquele mesmo horário. Eu já me sentia fazendo parte daquele cenário, assim como cada um que passava ali das quinze para as sete até as sete e cinco. Já conhecia bem cada uma daquelas pessoas. Será que eles também pensam assim ao meu respeito?
Lembro da estranha solidária que se aproximou de mim enquanto eu chorava naquele ponto de ônibus, lembro-me de ter contado todos os detalhes dos meus problemas para ela, e ela ali sentada, me ouvindo, me dando coragem para entrar naquele ônibus, me oferecendo até o dinheiro da passagem.
Minha conversa com ela foi provavelmente a mais sincera que eu já tive a minha vida toda, e ela nem me disse seu nome.

Todas essas pessoas que estão ali, das quinze para as sete até as sete e cinco, quais são os problemas delas? Quais são seus medos? Com quem elas brigaram semana passada? Precisam de ajuda? De dinheiro?

Você sente aquela ligação, sente que faz parte já da vida da pessoa, mesmo compartilhando vinte minutos no mesmo local, e quando aquela pessoa desaparece, você simplesmente se perde. Se sente vazia, como se um amigo próximo ou parente tivesse morrido.

Por isso eu tento falar, conversar, conhecer todas as pessoas que me cercam.
Quero ouvir suas histórias, reclamar do tempo, comentar o jogo do Brasil, que seja. Tornar cada ligação mais e mais forte.
Ligações fortes não se soltam.

okay, esse texto nem faz sentido.

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